CHIADO – SANTA MARIA MAIOR, CHIADO E IDENTIDADE CULTURAL; DA VALORIZAÇÃO DAS MEMÓRIAS E TRADIÇÕES À VIVÊNCIA CONTEMPORÂNEA !
De 12 a 18 de Outubro, o Centro Nacional de Cultura organizou mais uma edição da semana cultural “Cultura no Chiado”. Nesse âmbito, participámos de duas iniciativas. Um passeio temático “Bordalo Pinheiro no Chiado” orientado por João Alpuim Botelho, Diretor do Museu Bordalo Pinheiro e uma visita ao Círculo Eça de Queiroz guiada por Eucária Vieira, dirigente dessa instituição de utilidade pública fundada em 1940.
Foto: Natacha Cardoso
Ainda no decorrer dessa semana, a Junta de Freguesia de
Santa Maria Maior inaugurou duas exposições, na Galeria Santa Maria Maior e no Acervo
Santa Maria Maior, no âmbito do IMAGO - Lisboa Photo Festival, festival
internacional de fotografia contemporânea que se realiza anualmente em Lisboa. Lá
estivemos nas duas inaugurações.
Foto: Natacha Cardoso
Em Santa Maior, em particular no Chiado, importará continuar a valorizar as nossas memórias e tradições identitárias, de ações transformadoras como o Romantismo, a Geração de 70 e o Modernismo.
Memórias do Romantismo e dos seus protagonistas como Almeida
Garret, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, marco decisivo na transformação
da sociedade portuguesa no início do século IXX, redescobrindo a nossa identidade
através da nossa História e tradições. Um movimento literário, artístico e
cultural mas também político e social marcado pela Revolução Liberal de 1820 e
a implantação do Liberalismo.
Importará também continuar a revisitar o espírito reformista
da “Geração de 70”, 1870, tendo por referências Eça de Queiroz, Oliveira
Martins, Ramalho Ortigão e Antero de Quental.
Mas se a “Geração de 70” ambicionou modernizar o pensamento
e a sociedade portuguesa, o Modernismo no início do século IXX quis alterar
profundamente as formas de expressão artística e literária. Uma ruptura
estética e cultural, o “espírito de Orpheu”, no seguimento de movimentos vanguardistas europeus como Futurismo,
Cubismo e Expressionismo. Será assim relevante, prosseguir na divulgação e
estudo das obras de Fernando Pessoa e seus heterónimos, Mário de Sá Carneiro, Amadeo Souza Cardoso e Almada Negreiros.
Tal como no passado, o território do Chiado mais do que
cenário, deverá continuar a constituir um espaço de produção e circulação de novas
ideias. O objetivo não deverá apenas passar
por revisitar o passado mas estabelecer um diálogo entre duas épocas.
O Chiado da crítica social, da modernização, da liberdade de
pensamento, expressão literária e artística e o Chiado de hoje com novos
desafios de identidade urbana e cultural, turismo, comércio e vida de bairro. Uma
questão que prevalece. Como transformar o bairro e a freguesia, integrando
literatura e artes, história e tradições, urbanismo e cidadania?
Como relacionar a identidade literária e artística do bairro
com uma vocação renovada enquanto espaço de cultura, reflexão e encontro, onde a
cidade pode debater e encontrar ideias.
Instituições, entidades e lugares como o Grémio Literário,
Círculo Eça de Queiroz, Turf Club, Centro
Nacional de Cultura, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Academia Nacional
das Belas Artes, Galeria Acervo Santa Maria Maior, Teatros de S. Luiz, Trindade
e São Carlos, Livrarias Bertrand e Sá da Costa, Museu do Carmo definidoras da identidade cultural do Chiado.
A par da plataforma digital e - chiado que reúne informação
sobre património e programação cultural
do bairro, são espaços físicos integradores
de uma rede cultural que dão o seu contributo na preservação de memórias e na
vivência renovada de um território.
Como o deverão ser as “lojas com História” que resistem, como
a Havaneza, Luvaria Ulisses, as pastelarias Benard e Brasileira.
Como já não o são, os cafés onde para além de cafetar se comia e outros estabelecimentos de restauração que serviam um bife à Marrare, feito em frigideira de ferro com manteiga a derreter e molho engrossado com natas, servido com batatas fritas em palitos. Hoje também já nada resta da doçaria em que Lisboa se esmerava por ser farta em mosteiros e conventos de freiras.
Com o Tavares encerrado, da tradição
da boa comida do Chiado restam algumas salas de refeições reservadas a sócios e
seus convidados e alguns guardiões desses lugares, como o Chef Francisco do Círculo
Eça de Queiroz. A tradição da boa gastronomia do Chiado está em vias de
extinção.
A identidade cultural do Chiado dependerá da capacidade de
associar três dimensões; a memória histórica, a cultura contemporânea e a
sociabilidade urbana.
Evocar o espírito “battus de la vie” no Chiado é prosseguir
com a ambição de construir futuro consolidando aquilo que nos distingue e identifica como únicos.




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