AGREGAR TRADIÇÕES EM SANTA MARIA MAIOR ENQUANTO FONTE DE VERDADE E DA SUA IDENTIDADE !

 


“Santa Maria Maior é o coração de Lisboa.”

Alfama, Baixa, Castelo, Chiado, Mouraria e Sé são os bairros constitutivos da freguesia de Santa Maria Maior.  

Um território culturalmente rico e diversificado que no respeito pelas suas especificidades, terá de preservar o legado transmitido pelas gerações que nos antecederam. 

As manifestações culturais que emanam dessa tradição, fomentam a ideia de pertença e a identificação das comunidades com os seus territórios. Identidade construída por gerações, em Lisboa e nos seus bairros, que criaram memórias e tradições.

Uma das expressões mais significativas da nossa cultura e símbolo da nossa identidade, é o Fado. Fado, meio de resistência cultural, zelador das nossas tradições e valores.

Fado, presente na programação cultural de Santa Maria Maior; “Caixa Alfama” e Grande Noite do Fado de Santa Maria Maior "que este ano regressa ao Coliseu dos Recreios.

Essa grande Gala do Fado, será antecedida por 4 eliminatórias realizadas nas colectividades, “Sociedade Boa União”, “Grupo Sportivo Adicense”, “Academia de Recreio Artístico” e “Grupo Desportivo da Mouraria”.

Em 2025, concorrem 42 fadistas em representação de 11 colectividades sediadas na freguesia, espaços de convívio, dinamizadores de actividades desportivas e culturais, divulgadores da História, cultura e costumes das nossas comunidades e seus ancestrais.   

Uma nota para mais uma história de resistência do associativismo na nossa freguesia. A Academia de Recreio Artístico, fundada em 1855, corre o risco de despejo. O novo proprietário do prédio, não quer renovar o contrato de arrendamento.

Nestas colectividades incluem-se as Casas Regionais, espaços guardadores da cultura popular tradicional dos migrantes do interior do nosso País. Os nossos “avós” que se mudaram para Lisboa à procura de melhores condições de vida e que tornaram a cidade culturalmente mais rica e diversa.

Como quase todos os nascidos e criados em Lisboa temos origens regionais, no meu caso na Beira Alta e no litoral alentejano.

Não tenho como o meu Pai já não tinha, qualquer resquício da pronúncia do “s” chiado característica da Beira Alta, mas certamente ficou a vocação para receber bem dos beirões e um temperamento algo reservado. 

Não tenho qualquer vestígio de pronúncia do Alentejo como a minha mãe e o meu avô já não tinham, entranharam-se a hospitalidade, genuinidade e o sentido de comunidade dos alentejanos. Ficou ainda a paixão pelo Cante e um gosto especial pelos sabores da gastronomia e vinhos dessa região.  




 
Outra das expressões da nossa identidade cultural, são as “Marchas Populares”, essa celebração que festeja os “Santos Populares” que remonta à celebração do “Solstício de Verão”. São uma expressão da vivência social dos nossos bairros, da forma de estar de cada uma das comunidades, uma forma de valorizar a percepção da sua autenticidade. 

Hoje as “Marchas Populares” como o Fado, são um meio de resistência cultural, de manter a ligação aos bairros de quem deles saiu ou foi forçado a sair. Uma forma de todos os envolvidos se sentirem em casa mesmo que neles já não vivam.

“Marchas Populares” de Santa Maria Maior; Alfama, Castelo, Mouraria e intermitentemente Baixa, que desfilam há décadas na Avenida da Liberdade na noite de 12 para 13 de Junho. “Marchas” com História que se confunde com a História dos seus bairros e da cidade de Lisboa.

Mas a identidade cultural da nossa freguesia, não se revela apenas nos bairros mais populares.   

Pela sua dimensão cosmopolita, centralidade cultural e social, o Chiado é ainda uma referência da cidade. O Chiado das igrejas e residências emblemáticas da nobreza transformado ainda no período pré-pombalino, em polo de animação social e cultural com a abertura do Teatro de S. Carlos em 1793. 

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a Biblioteca Pública e a Academia das Belas Artes instalam-se no Convento de S. Francisco. O Chiado ganhou uma nova centralidade cultural ligada ao ensino artístico, reforçada com a abertura de novos teatros, cafés, pastelarias e cervejarias, Clubes, livrarias e Grandes Armazéns.

Livrarias como a Bertrand, os teatros de S. Carlos, S. Luíz e Trindade, o Museu de Arte Contemporânea, Instituições como o Centro Nacional de Cultura, os Clubes como o Grémio Literário e o Turf, vão permitindo manter alguma da identidade cultural do Chiado.

O “Festival ao Largo” que se realiza no Largo de S. Carlos, é hoje um evento consolidado na programação cultural da freguesia de Santa Maria Maior e na agenda cultural de Verão da cidade.

Uma particular satisfação com esta realização. Enquanto membro do executivo da extinta Junta de Freguesia dos Mártires iniciámos um caminho que anos mais tarde se viria a concretizar. Um Festival ao ar livre, tornado num momento de celebração da ópera, música clássica e do bailado no Chiado.

Até aqui, temos agregado as nossas tradições, Fado, Marchas Populares e expressões clássicas de arte e cultura, enquanto fonte de verdade da nossa identidade.  

Mas importa olhar para o futuro, investindo na diversificação da oferta cultural, na literatura e outras expressões artísticas e culturais.

O "Festival Portas do Mar", o “Prémio Literário Armando Baptista Bastos”, o “Palavrio - Festival Literário de Santa Maria Maior”, o calendário anual de exposições na Galeria de Arte de Santa Maria Maior, são exemplos dessa aposta.

A Orquestra Juvenil de Santa Maria Maior e o Coro "Saber Maior" são projectos em que devemos dar continuidade ao trabalho desenvolvido.   

Em parceria com as nossas colectividades e outras entidades envolvidas, vamos prosseguir. 

 



 

 

 

 

 

 

 



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