MOURARIA; UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA !
A tragédia que se abateu na Rua do Terreirinho na Mouraria, há muito que se previa.
Mouraria, um dos bairros mais tradicionais de Lisboa. Uma zona da cidade onde ficaram confinados os mouros à semelhança dos judeus nos bairros do Castelo em tempos de Reconquista.
Mouraria das tradições da fadistagem, da Severa e do ´´rei sem coroa´´ Fernando Maurício, da capela da Senhora da Saúde, hoje território orgulhosamente intercultural, inclusivo e tolerante.
Nos últimos anos temos assistido à degradação do espaço público recentemente requalificado enquanto aguardamos pela devolução do Martim Moniz como espaço verde e de lazer para usufruto da população, a uma sobrelotação de imóveis residenciais alguns sob a capa de alojamentos turísticos muitos deles ilegais, à proliferação de espaços de restauração sem as mínimas condições de higiene e segurança alimentar e de lojas que depositam lixo a céu aberto a qualquer hora do dia.
Mais recentemente, rixas entre grupos rivais envolvendo
dezenas de pessoas, agravaram a insegurança percepcionada, já abalada pelo recrudescimento do tráfico e consumo de droga e prostituição, em áreas confinantes das freguesias de Santa Maria
Maior e Arroios.
Nos últimos anos neste território da cidade, parece ninguém querer enfrentar um problema que assim se avoluma.
Num exercício de cidadania,
tenho estado em contacto com outros autarcas de Santa Maria Maior e de Arroios
e com a Comunidade Islâmica de Lisboa. E todos sentimos uma necessidade urgente
de intervenção a par da incapacidade para enfrentar a situação conhecida.
As Juntas de Freguesia de Santa Maria Maior e de Arroios, diagnosticaram
e acompanham no terreno a situação, alertam e denunciam, têm feito o que está
ao seu alcance nomeadamente no âmbito da Higiene Urbana.
Até agora, as entidades que podem decidir, parecem continuar a assobiar para o lado.
Quantas mais tragédias serão precisas acontecer para
que se tomem medidas?

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