QUE DIREITA É ESTA? FAZ SENTIDO UM RADICAL DO CENTRO, EUROPEÍSTA E LIBERAL SOCIAL, PERMANECER NO CDS ?

 


Foi um privilégio assistir ao colóquio promovido pela Comissão Política Distrital da Juventude Popular. Uma oportunidade rara de debater Política Pura, quase suprimida do espaço ´´comentadeiro´´ do sistema e que também tem escasseado no CDS.

Se a reflexão do colóquio se relacionava com o futuro e posicionamento do CDS, a ocasião viria a permitir uma outra ponderação de cariz pessoal. A afinidade com os oradores e uma sala repleta de autenticidade da juventude, tornaram-na possível.  

  Faz sentido um radical do centro, europeísta e liberal social continuar no CDS?

·    Faz sentido manter o compromisso político e autárquico com a cidade de Lisboa em representação do CDS?

Que Direita é esta? 

Formaram o painel de oradores; Manuel Monteiro, antigo presidente do CDS e o colega no Lyceu Passos Manuel que me aproximou da JC – Juventude Centrista, Jaime Nogueira Pinto um dos mentores da minha formação política na juventude e alguns anos mais tarde do trabalho final na Pós-Graduação em Comunicação e Marketing Político e José Adelino Maltez uma referência política, académica e cívica, desde 1983, ano em Francisco Lucas Pires chegou a presidente do CDS.  

A primeira parte representou o avivar de memórias do percurso na JC e no CDS, dos muitos entusiasmos e muitos desencantos de uma participação cívica partidária ao longo de 42 anos.  

A segunda parte focada no futuro da Direita e do CDS e no meu caso, o que poderá continuar a motivar um radical do centro, europeísta e liberal social a continuar por aqui?

A ideia de um CDS genuinamente centrista desapareceu com a saída de Diogo Freitas do Amaral em 1992. O CDS do centrismo equidistante, o partido charneira posicionado ao centro de dois partidos afastados mas que ao concordarem no essencial não debatem política, deixou de existir. 

O pensamento liberal no CDS foi remetido, quase sempre, ao liberalismo económico. Podia discutir-se se o CDS era mais liberal ou mais solidário mas no CDS pós-Francisco Lucas Pires, o liberalismo passou a afirmar-se exclusivamente pela economia, não se imunizando às acusações de cedência aos poderes económicos instalados. 

Os difíceis tempos do protectorado e assistência financeira da Troika colaram à governação do PSD e do CDS, uma imagem de subserviência e permeabilidade à Geofinança. ´´Brecha´´ aproveitada pelos populismos de esquerda e direita mas  sobretudo pelo PS.

O liberalismo em que acredito, em nada se identifica com as teses neo-liberais. É o liberalismo de valores consignados no manifesto de Oxford. É o liberalismo social equidistante de sociais democratas e liberais conservadores, crítico do paternalismo ineficaz e opressivo do Estado e defensor da igualdade de oportunidades.

Somos um País pequeno e periférico. Com a descolonização e o fim da referência territorial além-mar, Portugal encontrou na integração europeia uma ideia maior e mais clara sobre o seu projecto de desenvolvimento. 

Se não for perdida ambição e identidade, a Europa continuará a ser um território para afirmar e exportar a lusitanidade. Uma Europa fundada por sociais democratas, centristas liberais e por sociais- cristãos contra os totalitarismos do século XX, nazismo e comunismo. 

Em 1992 ao assumir a sua oposição ao Tratado de Maastricht, o CDS interrompeu um caminho europeu iniciado em 1975 com a adesão à UEDC- União Europeia das Democracias Cristãs. Acabaria expulso do PPE – Partido Popular Europeu que sucedeu à UEDC, tendo sendo readmitido em 2004. 

Essa deriva soberanista que se opôs ao património de integração europeia do CDS deixou o seu legado e poderá voltar a reavivado no futuro enquanto oposição ao federalismo.

Europeísta, continuo a acreditar na construção da unidade europeia, baseada nos valores da dignidade humana, da liberdade e direitos humanos, do Estado de direito, da solidariedade e da subsidiariedade. 

Uma Europa que há-de tornar-se uma Nação de Nações, uma Democracia de democracias. Europeísmo que a par do Humanismo e cosmopolitismo será a resistência à novas ameaças totalitárias que ameaçam a Paz.

Vivemos hoje na Europa tempos de guerra sob a ameaça do regime totalitário russo e de outros totalitarismos mais soft mas não menos perigosos.

O wokismo vai conseguindo impor uma agenda que desafia a lógica democrática. Ao reclamar um acesso privilegiado à verdade, uma minoria ´´iluminada´´ tem condicionado decisões políticas que não têm em conta os princípios e valores da maioria dos seus concidadãos, pretendendo impor uma realidade radicalmente diferente da realidade comumente aceite.

A sua agenda está para além dos valores democráticos e são uma ameaça à ancestral cultura democrática europeia. Estes novos ditadores de carácter, ao desprezar a liberdade de pensamento e expressão, são tão perigosos quanto a tentação expansionista do ditador russo.

Seguidores dos professores do pensamento único que se instalaram nas universidades, representam uma esquerda caviar alheada da realidade, que alimenta o seu discurso igualitário pela segregação da sociedade em função da cor, etnia, religião ou sexo.

Karl Popper chamou a atenção para o paradoxo da tolerância: "Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo com os intolerantes e não defendermos a sociedade tolerante contra os assaltos, os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância". 

Tolerar este pensamento e comportamento é tornarmo-nos cúmplices. Este é um dos combates culturais que o CDS teria de assumir e liderar.

Para sobreviver e ter relevância política o CDS precisa afirmar-se como um Partido de Causas, ter coragem, ousadia para "ocupar a rua" e afrontar o sistema, desafiar o ´´status quo´´ e nunca o regime, demarcando-se de outras Direitas. O CDS nunca foi situacionista.

Europeísta, Radical do Centro e social liberal por aqui me deixarei ficar enquanto houver caminho comum a percorrer com a Direita Democrática mesmo que Conservadora e Soberanista, quanto baste.


A outra razão para aqui ficar, é o compromisso político e autárquico com Lisboa.

Eleito pelo CDS, enquanto existir um compromisso e entendimento comum de utilidade, aqui estarei, sem nunca esquecer que o meu compromisso fundamental é com os eleitores ao serviço da população, agentes culturais, desportivos e económicos da freguesia de Santa Maria Maior e do município de Lisboa. 

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